
Promotora de Justiça de Canoas, Aline dos Santos Gonçalves
Nesta noite de Natal quero fazer-lhe um pedido especial, pelas crianças de todo o mundo, por aquelas que não conheço, por aquelas que fazem parte do meu dia-a-dia como o Kaleb, a Gabriele, o Marco e a Vitória, por aquelas que ouvi falar das manchetes dos jornais, por aquelas que ouvi dizer através de algum comentário, por aquelas que estão ao meu alcance, mas que pouco conheço ou pouco sei de suas necessidades e, em especial, por aquela que enche o meu coração de alegria e de luz e, por esta, que está ainda em meu ventre e que ao nascer irá se deparar com um mundo cheio de alegrias, mas, também, de dificuldades e de sofrimentos.
Por favor menino Jesus,
Dai aos adultos discernimento para que possam educá-las tendo em mente que são crianças e, portanto, tem entendimentos e necessidades diversas do que nós adultos.
Dai aos adultos consciência para que não façam de seu estado de adultos motivo para se tornarem prepotentes, severos ou autoritários para com elas. Que não utilizemos disso para realizarmos nossos desejos mais íntimos de poder e autoridade.
Dai aos adultos coerência para que não digam um não agora e um sim mais tarde pelo mesmo motivo. Que ao dizermos um não o façamos quando ele for realmente necessário.
Que quando as chamarmos a atenção tenhamos em mente o quanto nos desagradava receber uma reprimenda de uma maneira ríspida, desrespeitosa ou descuidada. Que as tratemos com respeito como qualquer ser humano deve ser tratado.
Que tenhamos cuidado em não repetir com elas o que tanto nos desagradava quando crianças.
Daí aos adultos calma e paciência para que as dificuldades, pelas quais enfrentam em seu dia-a-dia, como falta de dinheiro, doenças e, de relacionamentos, não sejam motivos pra despejarem sua ira sobre elas.
Que saibamos que limite não se confunde com abuso de poder.
Que educação não significa violência física e, em especial, a emocional tantas vezes tão mais gravosa.
Que possamos entender aquele serzinho como único, podendo compreender que nem sempre o choro significa manhã ou silêncio implicância. Que, assim como nós, possam ter seus momentos de choro, angústia e ansiedades.
Que não façamos de nossos filhos a conveniência dos outros ou um modelo para exibirmos nossa vaidade, mas um ser único dotado de valores como de respeito ao próximo, solidariedade e humildade. Que possamos aceitar as suas limitações sejam elas emocionais ou físicas.
Menino Jesus,
Abençoa e ilumina nesta noite e nas seguintes todos os pais, avós, tios, dindos, educadores, Conselheiros Tutelares, todos aqueles que tratam diretamente com as crianças para que possam efetivamente serem um porto seguro em suas vidas para que possam elas contarem com um abraço especial, um mão estendida, um olhar afetuoso e uma preocupação legítima. Acredito que assim, não só elas, mas todos nós, seremos mais felizes.
AMÉM.